Killer Hotel


Rondônia, Brasil, 21 de abril do ano 2000

É uma noite de chuva tempestuosa, raios e trovões dominam a noite enquanto o barulho de chuva soa em todo local, seguimos um caminho que leva para mais adentro na floresta, curvas, subidas e descidas ficam para trás enquanto a pequena estrada de terra batida resta a nossa frente cercada pela floresta que tenta dominar esse pequeno pedaço de civilização que invade sua área soberana.

Após andar tempo suficiente nota-se uma mudança na estrada para um breve trecho asfalto, e ao longe iluminado pela luz da tempestade consegue-se ver o objetivo dessa breve viagem. Uma mansão antiga, não é possível identificar a cor da mansão apenas que nesse momento é de uma cor que aparentar ser um rosa extremamente claro, quase a ser um branco, vendo a mansão do alto pode-se ver que ela tem o formato da letra ‘H’ com sua entrada sendo na parte do meio ligando as alas, algumas luzes estão ligadas em suas várias janelas com exceção da parte que aparenta ser o quarto e último andar, seguindo até que se chega em um estacionamento com poucos veículos espalhados por sua área, um caminho lateral leva à parte de trás da mansão,  em direção à entrada principal pode-se discernir a palavra Hotel escrito na entrada, correndo em direção à entrada está uma jovem moça molhada pela chuva, adentrando a mansão, ela não vê nada além de escuridão total, o silêncio em um lugar tão grande passa a ela a sensação de que nenhuma alma viva caminha por esse lugar, o saguão principal é extremamente belo, uma enorme escada domina maior parte do espaço, identificando algumas entradas laterais que levam para dentro desse grande labirinto ela decide usar uma dessas entradas laterais no térreo e segue  explorando os cômodos, observando e encontrando algumas pessoas algumas pessoas dormindo em seus quartos enquanto se esconde dos poucos funcionários que estão andando pelos largos corredores, até que ela chega em uma área isolada e que aparenta estar abandonada, sentido medo e apreensão ela prossegue em direção às áreas mais abandonadas desta mansão transformada em hotel, após andar pelo que pareceu uma eternidade ela escutou alguns barulhos, o barulho de metal encontrando metal, e um outro barulho molhado e abafado, como se algo estivesse sendo remexido, ela vagarosamente segue os barulhos que a guiam para uma porta próxima.

Ela finalmente  encontra seu objetivo final, um quarto especial, nesse quarto existem vários equipamentos médicos espalhados, no centro existem duas camas cirúrgicas, uma ao lado da outra separadas por uma mesa na qual várias ferramentas médicas são exibidas, juntamente com um cooler que exala uma fumaça branca, observando com mais atenção ela nota um homem em pé ao lado de uma das camas trajado em uma vestimenta cirúrgica trabalhando em um outro homem enquanto sussurra em um tom de desgosto e mal contida raiva. Ela observou este doutor por um bom tempo até que vemos ele remover um órgão de dentro de seu “paciente” e colocá-lo dentro do cooler que está cheio de gelo, ele estende sua mão ensanguentada e a repousa na mesa enquanto olha para seu paciente e podemos reconhecer uma palavra vinda de seu rosto mascarado independente do barulho da tempestade que se fortalece cada vez mais nesta triste noite.

“Desculpe”

Ele olha por um tempo com um olhar perdido antes de suspirar e voltar a sua terrível função, até que repentinamente ele escuta um som abafado, sua cabeça vira instantaneamente para a porta e com horror ele a encontra aberta e uma mulher está parada lá com uma expressão de pânico em seu rosto.

Após um longo tempo, o homem vestido de doutor sai pela portas principais do hotel, e observa o céu enquanto a chuva lava suas vestes cheias de sangue, ele olha ao redor e deixa sua visão caminhar pelo ambiente após identificar o carro de sua vítima, até que imediatamente acima da entrada ele com um sorriso no rosto lê o nome de seu amado hotel pintado na parede, ‘Dr. H. Howard Homes Hotel’.

Rondônia, Brasil 10 de maio de 2001

Vários carros se encontram abrigados do sol escaldante no estacionamento coberto, um carro policial se destaca entre eles, adentrando o meu belo e famoso Holmes Hotel, consigo ver diversos hóspedes utilizando a minha bela área de recepção como um ponto de encontro para suas conversas enquanto alguns de meus garçons e minhas belas garçonetes passam de tempos em tempos oferecendo leves bebidas e alguns aperitivos enquanto o salão do meu restaurante não é liberado para a refeição do meio-dia, em um canto isolado da minha recepção está um homem negro que aparenta ter em torno de 30 anos, cabelo em corte militar e fardado como um oficial de justiça, me aproximo e novamente vejo que ele se encontra sentando com a foto de uma jovem na mão e a de um senhor calvo em torno de 50 anos jogada em uma pequena mesa, sento ao seu lado com um sorriso amigável, mas com um toque de tristeza tingindo todo meu semblante, eu estou trajando uma roupa digna de minha posição, de dono deste magnífico hotel ao qual chamo casa, um terno preto e me apoio em minha ilustre bengala preta, suspiro ao pensar no motivo da presença de homem a quem chamo amigo aqui.

“Eu sei que você detesta isso Marcus, mas eu odeio tanto quanto você. ” Comenta o oficial.

“Eu sei meu amigo, e sei o quanto esse caso lhe incomoda, mas não posso ajudar mais. ” Respondo.

“Eu não sei mais o que fazer Marcus, esse foi o caso mais importante da minha carreira, o primeiro desaparecimento da famosa mansão que possui provas e pistas que levam à um assassinato”

“E mesmo com toda a informação passada nada foi descoberto após um ano de procura. ” Comento enquanto estendo uma mão e aperto o ombro de Lucas e continuo a falar.

“Eu sei que você se importa e esse caso te lembra a Mariza, mas você tem que seguir com sua vida Lucas. ” Finalizo com um triste sorriso enquanto sinto um aperto no estômago ao pensar na filha de Lucas e o triste fim que a levou.

Ele bate na mesa com suas mãos abertas fazendo o som ecoar pela recepção e chamando a atenção de alguns de meus hóspedes.

“ISSO NÃO TEM NADA A VER COM A MARIZA MARCUS E VOCÊ SABE DISSO! ”

Como esperado, uma mera menção dela e ele já perde toda sua compostura, balanço minha cabeça e discretamente ofereço desculpas aos hóspedes pelo incômodo antes de voltar minha atenção à Lucas.

“Você tem que aceitar e superar o que aconteceu Lucas”, tento apertar seu ombro mas ele rebate minha mão ainda em óbvio ódio - “não deixe o passado dominar sua vida. ” Aconselho-o

“Não me venha que esse papo Marcus, não você, não hoje. ” A raiva domina ele e consigo claramente ver isso na forma com que a voz dele soa impregnada de raiva, não consigo impedir o meu descontentamento de aparecer em meu rosto.

“Não perca sua razão dizendo algo... ”

“Não me venha dar conselhos depois de deixar a morte da Eliza destruir sua vida. ” Sibila Lucas.

Escuto um barulho de carne encontrando carne, tento recuperar meus sentidos e vejo minha mão levantada e corretamente deduzo que devo ter me perdido novamente, observo a cabeça de Lucas voltar-se para olhar para mim e vejo o claro sinal das costas de minha mão em seu rosto, respiro fundo reorganizo meus pensamentos e com outro suspiro me desculpo.

“Eu sei quando eu cruzo a linha Lucas, eu sei o quanto fui afetado pelo que aconteceu, e o quanto ainda tenho minha vida dominada pelo que aconteceu naquele dia” suspiro novamente enquanto ponho minha mão em minha testa enquanto volto meu olhar para o chão - “por isso eu te aconselho Lucas, por isso que eu tanto falo” volto meu olhar para ele - “eu sei claramente aonde esse caminho te leva, e não quero que você sofra dessa forma. ” Finalizo sem desviar meu olhar enquanto o peso do que aconteceu reverbera dentro de mim.

Observo enquanto ele vagamente leva sua mão ao local onde o bati, e esfrega o ponto de impacto enquanto ele encara meu olhar - “Eu também sei quando passo da linha Marcus, me desculpe, meu comentário foi completamente fora de ordem” murmura Lucas enquanto seus olhos vagam por aí. Ele finalmente volta a olhar para mim e com um suspiro “Desviamos demais do meu objetivo inicial ao vir hoje” ele volta ao seu assento e após alguns segundos volto ao meu, ele pega as fotos e as estende a mim repetindo novamente este ciclo infindável - “Leticia Vragaça, jovem de 20 anos, cabelo liso passando ligeiramente dos ombros, de coloração loura clara beirando o prata, pele de cor branca quase beirando o pálido, olhos cor de Âmbar e algumas sardas no rosto. ” Escuto novamente ele falar enquanto observo a foto da bela jovem, “Felippe Monteiro, senhor de 40 anos, calvície parcial mantendo apenas um pouco de cabelo da coloração castanha na parte de trás da cabeça, pele morena e olhos castanhos, pai de família com duas filhas de sua esposa e... “Lucas pausa por alguns segundos como ele sempre faz ao falar disso”... e tinha um caso com uma Fernanda Vragaça, mãe de Letícia. ” E como sempre ele finaliza com seu rosto entre as mãos, reviro meus olhos em desgosto e faço minha parte nesse teatro infinito

“Senhor Monteiro chegou no dia 20 de abril de 2000 e registrou-se exatamente às 17:43 e requisitou um de nossos quartos-casa, ele foi informado sobre as regras básicas envolvidas na hospedagem de nossos quartos-casas e como o quarto é uma pequena casa luxuosa e como funciona o pagamento, ele fez o pagamento e nos informou que ele estava esperando uma moça e requisitou que nós mandássemos ela ao quarto dele, pedido ligeiramente incomum, mas já tivemos clientes tendo encontros secretos em nosso hotel, em torno de 19:20 recebemos uma jovem que se identificou como Tici e que ela estava sendo esperada pelo Sr. Monteiro, confirmamos a descrição dela com a repassada para nosso balcão e a guiamos para o quarto desejado. ”

“Essa Tici mencionada é a vítima conhecida como Leticia correto? ” Vem a esperada interrupção e como sempre respondo

“Sim, a jovem mencionada é a vítima Leticia Vragaça. ”

“Continue por favor”

“Nada de notável aconteceu até a manhã do dia 22 quando um de meus funcionários encontrou manchas de sangue na parte inutilizada do hotel que não é própria para hospedagem, e por isso normalmente se encontra abandonada com a exceção da limpeza mensal feita naquela área. Imediatamente a polícia foi chamada e a área foi isolada. ”

Lucas suspira e comenta “Então nós chegamos e fizemos a procura e os testes e até hoje nenhum corpo foi descoberto, e a única coisa encontrada foi sangue das duas vítimas, o anel de casamento do Sr.Monteiro e o carro de Letícia abandonado na floresta” devolvo as fotos à ele e levantamos de nossos acentos e trocamos um aperto de mão

“Está na hora de eu voltar para casa, a Márcia está fazendo almoço” finaliza Lucas com um fraco sorriso

“Sinto por sua infelicidade meu amigo” comento com um sorriso lembrando da terrível culinária da esposa de Lucas.

Ele dá uma fraca risada e caminha para as portas do hotel enquanto eu olho ao meu redor e observo que todos os meus hóspedes já se encaminharam para o salão, resolvi dirigir-me para outro local.

Paro em frente a uma porta, dou um suspiro, um sorriso invade meu rosto, dou umas leves batidas na porta anunciando minha entrada e resolvo passar um tempo em solidão com minha bela esposa.

Com um sorriso no rosto e um sentimento de euforia eu demonstrando calma com movimentos lentos e calculados abro a porta e saio do quarto, observo um relógio colocado na parede deste corredor, constato que seus ponteiros marcam as 17:00 horas e registro mentalmente o fato de que passei quase 5 horas no local de minha amada. Arrumo meu terno de forma impecável novamente e com passos largos e calculados com um sorriso em meu rosto me dirijo para a minha recepção para verificar se existem pedidos ou requisições especiais.

Ao chegar na entrada de meu hotel pauso por um tempo observando a beleza que se encontra em meu hotel, belas portas duplas de um belíssimo bronze, com um belo tapete vermelho que leva até a enorme escada principal que inicia na metade do salão e termina na parede onde se encontra nesse espaço ao topo a mesa de recepção, à esquerda e direita se encontram escadas separadas que levam até o primeiro andar que abriga meus quartos iniciais para hospedes.

Imediatamente perco meu controle e meu sorriso sai de meu rosto quando olho novamente para a mesa de recepção e vejo quem se encontra nela, um rapaz de 25 anos, pele com um leve bronzeado, cabelo curto e levemente bagunçado de coloração preta, espinhas no rosto e olhos de coloração castanha, Willames Mortego, minha indignação é mostrada em meu rosto imediatamente e utilizando o pouco do controle que me resta subo as escadas e me dirijo com indignação obvia a meu funcionário,

“Este tipo de postura é inaceitável Mortego, remova seus pés da mesa de recepção e sente-se de maneira correta”

Ele simplesmente responde com um sorriso preguiçoso enquanto move suas mãos demonstrando o salão

“Não tem ninguém aqui chefe, tanto faz como fez” e volta a relaxar calmamente.

A raiva dentro de mim aumenta ainda mais e manter meu controle fica mais e mais difícil

“E não é como se importasse o que esses ricos fazem, não é? Nada muda. ” Imediatamente meu controle me domina e toda minha raiva desaparece.

“Ainda temos que manter um mínimo de educação e comportamento, para que os hospedes não parem de vir”

Ele simplesmente dá de ombros e se senta corretamente.

“Tem razão. Não queremos que esses porcos ricos parem de vim” e um sorriso predatório toma seu rosto.

Suspiro com a falta de tato e vergonha que ele demonstra, mas vejo-me agradecido por saber que ele não apresenta risco algum. Pego minha chave mestra de dentro da gaveta enquanto ele me dá um leve aceno de cabeça e então volto a caminhar pelo meu hotel com um destino em mente.

Me aproximo do quarto que procurava, quarto nº 192, encontrado no primeiro andar, bati na porta confirmando que o quarto estava vazio, utilizei minha chave para entrar no quarto, como esperado ele estava uma bagunça, sigo por um pequeno corredor com um guarda-roupas, embutido na parede, de um lado e a porta do banheiro do outro, após 5 largos passos vejo o resto do quarto, uma cama com sua cabeceira encostada na parede à minha direita, à minha frente a janela com uma bonita visão para o viaduto ao longe, na minha esquerda vejo a televisão em cima de uma cômoda e uma geladeira logo ao lado, uma coleção de roupas estão espalhadas pelo chão, a cama está com os lenções bagunçados, tem lixo espalhado pelo quarto, respiro fundo e me dirijo ao banheiro com receio, e vejo que ao menos o banheiro se encontra limpo, e um par de toalhas em cima da pia se demonstra a única marca dos hospedes, volto ao quarto e metodicamente recolho as roupas, dobrando e guardando as limpas no armário, e separando as sujas para levar à lavanderia, recolho o lixo espalhado e adiciono mentalmente o preço dos produtos utilizados que não estavam no pacote fornecido ao casal deste quarto, ajeito as cortinas, preparo todo o quarto tendo o horário tardio em mente, recolho as roupas sujas e tranco o quarto ao sair.  Com a roupa devidamente embrulhada calmamente retiro-me do corredor atual para o corredor central que me levará para a área de minha recepção, o sentimento de incomodo por minhas ações dança por minha mente, porem a resignação domina essa parte de mim, não posso deixar isso me atrapalhar, não agora que fui tão longe.

Minha mente desperta ao aproximar-me de uma de minhas funcionárias, que ao notar minha presença e o que carrego imediatamente aproxima-se e se oferece para entregar as roupas à lavanderia com um pedido de desculpas, dispenso-a com um mero aceno de minha cabeça deixo o saco com ela e continuo meu caminho.

Até que avisto o casal especial, Newton Parcoles, um senhor de 50 anos com longo cabelo já totalmente branco preso em um rabo de cavalo, um ótimo estado físico algo que se orgulha extremamente tendo em vista a exigência de um quarto no terceiro andar mesmo sendo sugerido o seu atual no primeiro andar, uma longa conversa se viu necessária para convencer o Sr. Newton que o melhor quarto com seu pacote escolhido não se encontrava no topo de meu Hotel. Margareth Parcoles, esposa do Sr.Newton, uma senhora de 45 anos com um corpo em bom estado, saldável e enquanto não compartilha do orgulho do Sr.Newton, possui enorme orgulho em seu dinheiro e não permite que sua existência e condição financeira seja esquecida a todo momento. A expressão de Willames ao registra-los foi encorajadora o suficiente para auxiliar minha decisão de tornar ele e sua esposa –Meus- clientes especiais. Coloco um sorriso em meu rosto e cumprimento-os da forma requerida,

“Sr. Newton, Madame Margareth, que feliz acaso encontra-los, ” Sr. Newton estufa seu peito e demonstra um leve sorriso enquanto sua esposa empina seu nariz e demonstra sua expressão de contentamento, ” acredito que se retiram do salão de jantar, o alimento encontrou-se de perfeita qualidade como esperado? ” Um enorme sorriso de aparente superioridade apresenta-se no rosto de Margareth e com um aceno minha pergunta é respondida

“Meramente satisfatório Sr.Dias, nada como esperado e comentado, esperava mais de um estabelecimento tão bem falado,” seu sorriso se alarga “mas, acredito que minhas expectativas estavam demasiadamente altas para um local tão simples.” Termina ela com seu –maldito- infeliz sorriso.

“Acalme-se Marga, eu lembro de ouvir elogios e mais elogios vindos de você alguns minutos antes” intromete-se Newton com um calmo sorriso ”Me desculpe por ela Sr.Marcus, ela nunca fala o que realmente pensa, mas eu a amo do mesmo jeito ” comenta Newton enquanto meu lapso de controle desaparece e escuto a resposta de Margareth.

“Tem que amar mesmo depois de 30 anos juntos”

A risada de Newton quase não se faz presente enquanto minha cabeça começa a rodar

“Mesmo sem filhos você sempre foi o suficiente para me fazer feliz meu amor”

Um frio se aloja em meu estomago e me sinto fraco.

“Não cairei nessa novamente, não espere nada esta noite além de sonhos. ”

“Me perdoe, mas devo me retirar. ” Murmuro fracamente

“Céus homem você está bem? Você está extremamente pálido”

“Sim Sr.Parcoles sim, preciso apenas de um pouco de ar, apenas isso”

“Então vá, não me deixe te interromper, você é o profissional na área”

Saio imediatamente antes de registrar o resto de suas palavras, começo a andar sem destino pelos quartos e corredores, andando vagarosamente até que sinto uma enorme tristeza tentar me dominar e se misturar ao frio que se alastra por meu corpo, perco meu passo, preciso me apoiar na parede, aperto meu peito de tanta dordor não, não, ainda não, está muito cedo, não mais, agora não. Tento andar, preciso continuar, não vou parar agora. Forço meus pés a se moverem e me levarem a algum lugar, -não aquele-  ou qualquer lugar seguro –não aquele, não não- vejo uma porta em minha frente e a reconheço, o resto de meu corpo é dominado completamente pelo frio, ” Não aqui, não aqui” murmuro como em delírio, mas sou traído por meu próprio corpo, como um protesto por nossas ações, um aviso que não existe desculpas para nosso erro, QUE O PREÇO É ALTO DEMAIS, e me estatelo no chão, mas não passam de mentiras, heresias para livrar-me de minha certeza, nenhum preço é alto demais. Não quando a recompensa é tão valiosa. Escuto uma voz em meu ouvido como se minha sombra ensandecida tomasse vida e voltasse a me assombrar com suas palavras sombrias de loucura.    

Preciso do pingente, meu pingente onde está MEU PINGENTE, agarro meu peito em uma procura desesperada, onde está? Esvazio meus bolsos. Onde está??? Não o encontro, eu tremo de frio e puro terror nasce em meu peito ONDE ELE ESTÁ??!? Não, não,não,não, preciso delas, preciso delas AGORA!!Com minhas mãos tremulas encontro meu pingente- em meu colar, sempre no colar- minhas mãos tremem cada vez mais tornando difícil manusear o pequeno pingente que contém um significado de eterna grandeza, finalmente abro o pingente e como se um mar refrescante me inundasse , eu me acalmo. Dentro do pingente vejo meu maior tesouro, e a fonte de meu maior sofrimento.

Consigo ler as palavras que me levam ao tropeço e que me ajudam a levantar.

 “Com o amor de Eliza e Rafaela” e a foto de minhas amadas sorrindo novamente para mim enquanto a escuridão invade minha visão.

“eu...... amo......vocês”    

Acordo repentinamente, atenção, urgência, encontro-me deitado em um sofá, minha sala, no primeiro andar do meu Hotel, ala da direita, corredor central esquerdo, terceira porta, observo os meus arredores imediatamente vejo Willames largado em uma cadeira escrevendo em um pequeno caderno de anotações, belíssimos tons dourados permeiam toda a minha sala, de minhas paredes até meus moveis, com detalhes de colorações turquesa e esmeralda, observo o relógio e vejo que são 20:00, freio meus pensamentos, prendo-os, e com movimentos calmos e ponderados volto meu olhar para Willames, meu funcionário está me observando,

“Não deixe isso acontecer de novo Marcus” -escuto enquanto minha irritação cresce dentro de mim-“você não tem ideia da sorte que tu teve que não tinha ninguém por perto”     

“Escute aqui rapaz...”

“Escute aqui você! Nosso acordo só está de pé porque aqueles porcos merecem o castigo deles. Mas no momento que você começar a ferir seres humanos...”

“O que você está insinuando Willames? ”interrompo o discurso deste moleque, ainda mantendo e demonstrando a minha calma.

Ele pausa por um tempo enquanto me encara e seu rosto volta a ter a mesma expressão de tedio

“Os seus clientes estão aqui”

Congelo por meros segundos antes de me recompor

“E nenhum comentário será feito por você” declaro com firmeza, e observo a raiva e ódio dominarem suas feições.

“Não queremos que sua relação com o Sr. Felippe Monteiro seja descoberta não é mesmo? ” Comento demonstrando meu puro desinteresse pelo assunto.

Como eu previ ele empalideceu imediatamente e deu um passo para trás

“Afinal sangue é sangue não é mesmo Sr. Willames Mortego? ”

“Ou devo lhe chamar de Sr.Monteiro?”

“Não OUSE! Eu abandonei esse nome! ” Grita Willames

“Indiferentemente de sua tolice, seu pai permanece o mesmo” descarto seus comentários com maestria enquanto minhas expressões demonstram meu desdém.

“Meus clientes, como você diz, são fruto de pura necessidade, como você bem entende. ”

Vejo que ele se acalma e me encara, como se decidindo o que falar,

“Você fala do dito ...” Começa Willames com precaução nítida em seu tom de voz por saber da fragilidade do assunto.

“Sim Sr.Mortego, me refiro à minha filha. Minha amada princesa Rafaela. ” Tristeza domina minhas feições e envolve meu coração em um aperto doloroso.

“Então vá logo Sr.Dias, eles estão o aguardando no local de sempre.”

“Obrigado Willames, me dirigirei para lá imediatamente” finalizo enquanto reafirmo minha certeza e comprometimento com as consequências de minhas decisões.

Levanto e mantendo minha calma visível, retiro da sala e me encaminho para o térreo de meu Hotel, desço as escadas, entro na ala da esquerda que está oficialmente abandonada e atravesso os corredores até encontrar a porta que procurava.

Entro sem bater na porta, e com enorme desconforto encontro dois homens lá dentro, um deles está bem vestido, de terno preto parecido com o meu, mas de ainda melhor qualidade, cabelo preto comprido que chegando as costas, pele pálida, utilizando óculos de sol, uma mão no bolso e outra gesticulando levemente, ele pausa e vira sua cabeça em minha direção, seu nome me veio à mente Caiena Darma, ao menos o nome que me foi passado e isso é o que me importa, observo o segundo homem na sala, ele traja o mesmo terno que seu acompanhante, com a adição de uma gravata vermelha, ele possui um brinco prateado em sua orelha esquerda, com o mesmo par de óculos, possuindo cabelo curto bagunçado de coloração escura com um tom levemente castanha, com duas mãos nos bolsos e com uma postura extremamente relaxada, de mesma forma relembro seu nome, Nakamura Enzo, ele imita seu parceiro e move sua cabeça em minha direção.

“Boa noite Sr. Dias” Comenta Enzo

“Boa noite Senhores. ” Forçando as palavras de minha boca e aplicando meu controle interno consigo manter minha expressão neutra.

“Não temos tempo para gastar aqui Enzo” comenta Darma

“Certo, certo, direto ao assunto como sempre Darma”

“Bom Sr.Dias, viemos aqui informar o senhor que existem mudanças na data de sua entrega. ” O peso dessa notícia remove meu balanço e controle momentaneamente.

“Como assim?!”

“A data de entrega foi movida para amanhã sem extensões ou atrasos. ” Finaliza Darma enquanto sinto um peso enorme aloja-se em mim.

“Vocês estão me dizendo que eu tenho que iniciar o processo esta noite?!?”

“Exatamente isso Sr.Dias” comenta Enzo

“Passaremos amanhã neste mesmo horário para pegar o produto final. ” Fala Darma

“Isso vai custar mais. ” Tento em desespero receber mais tempo.

“Vamos encontrar sua filha Sr.Dias. Já podemos adiantar quem à tem ” comenta casualmente Enzo

“E esse preço a mais será para valer o perigo de mexer com Leopoldo Lebre. ” Termina Darma

Reconheço o nome imediatamente, o peso mistura-se com desespero e puro ódio revirando dentro de mim.  

“O vemos amanhã” e imediatamente se retiram da sala sem me dar tempo de processar ou protestar essa mudança repentina de planos.

Ando vagarosamente pelo corredor, sem saber o que fazer, não existem planos prontos, não há nada feito ou organizado, como? Estou perdido, não sei o que fazer. Que erro, que lastima, nunca me preparei para algo assim, confiei demasiadamente em meu vasto intelecto, colho hoje os frutos de minha Hubris, não há o que fazer.

Não sei qual a hora, andei perdido pelo meu Hotel tentando desvendar esse erro e encontrar uma solução, encontro Willames encostado na parede.

“O que aconteceu chefe? ” Pergunta com desinteresse

“Tenho que fazer esta noite. ” Digo com meu olhar voltado para o chão

“E qual o problema com isso? ” Pergunta surpreso “Não é só usar um dos seus troços médicos? ”

Um soque atravessa meu corpo, volto meu olhar para ele

“Como? ”

“Não é? Você tem esses equipamentos por um motivo não? Não precisa estar morto para você abrir um corpo. ”

Uma solução óbvia e evidente me é mostrada, algo tão simples, por que não pensei nisso antes?

Me recomponho imediatamente

“Agradeço Sr.Mortego, peço que mantenha aquela ala vazia.”

“Sem problemas chefe, porcos merecem morrer mesmo. ” Ele se desencosta da parede e se encaminha para a ala.

Me dirijo imediatamente para meu escritório, na ala abandonada do hotel, no térreo. Ao chegar pauso alguns segundos para absorver meu belíssimo escritório onde vários equipamentos médicos estão espalhados, no centro existem duas camas cirúrgicas, uma ao lado da outra separadas por uma mesa na qual várias ferramentas médicas são exibidas, depois delas pode-se ver uma mesa de escritório com vários papeis espalhados, e um armário com vários frascos e garrafas contendo remédios e líquidos, me aproximo de meu armário e ao abri-lo encontro o frasco procurado, e confirmo lendo a etiqueta ‘CHCl3’. Abro um sorriso, pego um pano e o frasco, me retiro de meu escritório de maneira rápida, com meu objetivo em mente e um sorriso ensandecido em meu rosto.

Nesta noite a grandiosa lenda do Killer Hotel fará mais uma vítima.

Apenas o som de meus passos ecoa pela escuridão deste corredor vazio, minha mente focada em meu objetivo, sentimentos trancados e abandonados, nada poderá me afetar, chego à recepção, paro por alguns segundos absorvendo o silencio e escuridão que dominam o local, subo as escadas para a mesa de recepção, vazia como programado, procuro pelas gavetas por minha chave antes de recordar-me que não a devolvi, apalpo meus bolsos e a encontro no bolso interno de meu terno, alivio, permito um sorriso atravessar meu rosto, ajeito a mesa da forma que estava e subo as escadas para a ala da esquerda, entro no corredor central da direita, diminuo meu passo, ando com calma foco minha atenção ao meu redor em procura de algo ou alguém, nenhum barulho, entro no segundo corredor, caminho lentamente até chegar na primeira porta e vejo o número dourado encravado nela 192.

O peso de minhas ações viaja pela minha mente enquanto desprezo pelo que devo fazer e euforia por me aproximar do final, me enchem e ameaçam me dominar nessa batalha travada dentro de mim, forço a calma dentro de mim e volto meu foco para a porta a minha frente atento à barulhos dentro do quarto, nada diferente, lentamente alcanço a chave em meu bolso e a encaixo na fechadura, giro e escuto um leve click, entro no quarto e fecho a porta atrás de mim. Com passos curtos e medidos chego a parte principal do quarto e vejo deitados na cama meu alvo e seu cônjuge. Volto a sentir o peso de minhas ações, mas minha determinação me dá forças para continuar meu erro meu acerto, retiro de dentro de um bolso especial costurado em meu terno a garrafa e o pano, removo a tampa e cubro a abertura com o pano, viro o pote molhando o pano com seu conteúdo, tampo a garrafa e a guardo em meu bolso, enquanto me aproximo da vítima, para por alguns segundos e lamento o triste fim que levará Newton Parcoles um homem bom e amigável enquanto sua mulher Margareth Parcoles deverá continuar viva e saudável corrompendo o mundo com sua arrogância, rapidamente cubro o nariz e boca de Newton com o pano e vejo seus olhos se abrirem e me reconhecerem com um brilho de terror e medo neles antes que a inconsciência o domine, ele desmaia e sua esposa sequer notou os espasmos de seu esposo, com cuidado retiro Newton de baixo do lençol e o realoco no chão, realoquei as almofadas, arrastei Newton pela suas axilas até a porta, com minha chave destranquei a porta, e com tremenda surpresa vejo um carrinho de limpeza de quarto no corredor e ansiedade me domina com as possibilidades que isso traz,

Algum funcionário passou por Willames? 

Olho ao redor e vejo a porta de um quarto entreaberta um pouco a esquerda, reconheço o quarto nº 193 e meu terror transparece em minhas feições imediatamente realoco a vítima desacordada para o espaço embaixo do corredor e me aproximo do quarto em questão, olho pela fresta e alivio me domina com o que vejo, uma mulher latina, cabelo loiro, olhos castanhos, uniforme do hotel, Sarah Muller- falsificadora de testamentos- e o fato de que ela é um de minhas funcionárias que estão a favor de minhas ações responde à questão do porquê Willames a deixou passar.

Retorno ao carrinho rapidamente e o empurro em direção a recepção, novamente observo o vazio que domina esse salão, chego ao topo das escadas e retiro Newton de baixo do carrinho, ele ainda está desacordado sem sinal de acordar, ponho o carrinho ao lado da parede e com esforço arrasto o corpo pelas escadas, chego no térreo sem grandes problemas, carrego Newton em direção a meu escritório, abro minha porta coloco meu novo ‘paciente’ em minha mesa de operações, prendo-o com amarras, fecho e tranco minha porta, vou para meu armário atrás de minha mesa e guardo a garrafa enquanto separo o pano para queima-lo depois, preparo meu equipamento com o cuidado e reverencia que eles merecem quando de repente um grito agudo corta a noite, reconheço a voz de Margareth, sinto um frio congelar minhas veias, minha tarefa é mais importante, volto minha atenção para meu ‘paciente’ e começo meu procedimento amaldiçoado.

Me dirijo ao armário e retiro quatro coolers, por sorte sempre tenho vários preparados para uso, os coloco em minha escrivaninha, pego minhas ferramentas e me preparo para fazer o primeiro corte, um grito abafado ecoa, percebo os olhos arregalados do Sr. Newton Parcoles me encarando.

“Boa Noite Sr.Newton” deixo um sorriso manifestar-se, não que ele possa vê-lo com a mascara que estou usando.

Ele grita um pouco mais

“Nada disso Sr.Newton, não precisamos deste pânico, isso não se passe de rotina” Para mim é claro

“Agora por favor devo me concentrar para não realizar nenhum erro” finalizo com um sorriso

Retorno a pegar o pano em meu bolso e o largo na cara de Newton e vejo o efeito ser feito.

Começa meu serviço abrindo a caixa torácica.

Finalmente, penso enquanto fecho o corpo que está oficialmente morto agora, ausência de um coração a principal causa, observo os quatro coolers próximos de mim, alegria domina e sobrepões o desprezo, mais um passo em direção a minha família, abro a porta e observo o vazio do corredor, me dirijo à porta ao lado, está aberta, vejo o enorme buraco -motivo do abandono-  que leva a fundação do hotel, faço minha decisão e a urgência de minha situação força minha mão, carrego Newton Parcoles para o buraco e o arremesso para dentro do buraco, para nunca mais ser visto.

Sinto-me fraco, minhas pernas me traem, sim, preciso ir agora, não posso parar agora, preciso ir, caminho com passos bambos e incertos pelos corredores vazios, chego na recepção, Willames está lá, com um enorme sorriso em seu rosto e uma aura sanguinária ao seu redor.

“Margareth Parcoles não será um problema para você chefe”

Ignoro ele e continuo indo, preciso ir, preciso dela.

Sra.Muller também impede meu caminho e com um leve sorriso fala

“Como o Will se intrometeu em seu serviço não iremos cobrar pelo silencio como habitualmente. ”

Willames segura Sarah pela cintura

“Não estrague o segredo amor, iremos entrar em detalhes amanhã durante o café da manhã. ”

“No olvida de combinar a história e me contar para quando la policía aparecer. Maldita sea él”

“Prescisso ir. Me deixem ir” saio antes que eles percam mais de meu tempo.

Preciso ir até ela.

“Não perca muito tempo lá chefe. A Vragaça ainda é minha irmã. ” Comenta Willames enquanto me afasto.

Desdém surge em mim, o idiota incorrigível não sabe do que fala, me livrei dela a muito tempo.

Continuo meu caminho enquanto ignoro todo o resto, preciso dela, tenho que ir até ela.

Finalmente me aproximo, sinto como se tivesse passado incontáveis milênios desde a última vez que a vi.

Dou um suspiro, um sorriso invade meu rosto, dou umas leves batidas na porta anunciando minha entrada e resolvo passar um tempo em solidão com minha bela esposa

 

Sinto a alegria e puro prazer correndo por minhas veias como o mais puro sangue, me sinto intoxicado e minha falsa calma some, meu lado calculista morre, nada importa, nada além delas, um arrepio de prazer percorre meu corpo enquanto meu sorriso aumenta ainda mais. Sim, sim está na hora de vê-la vê-la vê-la vê-la vê-la vê-la vê-la vê-la vê-la vê-la vê-la vê-la vê-la vê-la vê-la vê-la vê-la. A euforia percorre minha veia como droga e o prazer me domina ela é toda minha toda minha toda minha toda minha toda minha toda minha toda minha. Sinto o relaxamento que vem com a explosão de prazer que me domina novamente.

A porta. Fechar porta sim. Trancar a porta ninguém pode saber, ninguém pode ver, só minha toda minha, denovo denovo denovo denovo denovo denovo denovo denovo denovo denovo.

Abro a porta com meu coração palpitando e o prazer percorrendo meu corpo. Lá está ela. Exatamente onde deixei, boa garota. Me aproximo enquanto sons do que só pode ser alegria dominam o minúsculo cômodo.

Me aproxima e com cuidado e com todo meu amor meu meumeumeumeumeumeumeu coloco coloco minha mão em seu belo rosto com suas belas sardas, sua pele de cor branca quase beirando o pálido domina meus olhos, seusmeus olhos cor de Âmbar são tão lindos como sempre mesmo com essas terríveis lagrimas corrompendo a beleza deles.

“Oi meu amor. Voltei pra te ver” ternura e amor amoramoramor dominam minha voz.

Ela levanta rapidamente de nossa cama em alegre surpresa e se aproxima da parede do quarto

Seus gritos e falas de amor são amortecidos pela minha mão, mal necessário.

“Finalmente achei nossa princesinha meu amor. Ela estava com seu pai esse tempo todo”

Ele vai pagar, sim sim sim ele vai pagar por rouba-la de mim, só preciso de mais favores, sim adquirir mais dividas e favores não muitos quase pronto, sim estou quase pronto

“Tive que apressar o serviço desse mês, mas valeu a pena. Foi um preço bem pago pelos meus amores. ”

Que alegria essa noticia trouxe pra ela, mais lagrimas são derramadas de seus lindos olhos, e a agitação dela são o suficiente para mostrar o amor e preocupação que ela sente por nossa linda família.

“Não se preocupe minha doçura” -dou um leve beijo em sua testa” vou reunir nossa família e você poderá ser a mãe de nossa amada Rafaela novamente. ”

A alegria é tanta que mais lagrimas saem de seu rosto e seus gritos aumentam. Quanto amor

Só mais alguns serviços e consigo o suficiente para matar o maldito e resgata-la

Seremos uma famila novamente, sim simsimisimismism uma FAMILIA

Mais gritos. “Parece que narrei meus pensamentos em voz alta de novo Meu Amor”

As lagrimas dela realçam sua-minhatodaminha- beleza, sorrio.

“Sempre te amarei...”

“...Eliza 


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