Primeiro Dia
Olá, eu sou você.
Oi, não se assuste com o que você vai vai ler aqui e também não se desespere, o pior já passou. Eu me chamo Charlie Oswald, tenho 16 anos e moro com meus pais, ou eu poderia dizer, seu nome é Charlie Oswald, filho único de seus pais, David e Carla Oswald, você tem 16 anos e um problema que esquece todos os dias. Você deve estar se perguntando, quem sou, e como eu sei sobre você... A verdade é que eu sou você... ou serei até dormir. Irei lhe contar oque aconteceu, então por favor leia isso com atenção.
Eu também não sei de todos os detalhes, já que só fui saber sobre isso através de meus pais que me contaram tudo hoje cedo, portanto vou escrever aqui tudo que me contaram, desse jeito não irei esquecer oque aconteceu. Tudo começou semana passada, no meu último dia de minhas férias da escola. Era um domingo, e como todos os outros, nós sempre íamos almoçar em algum restaurante da cidade. O restaurante da vez, parece ter sido um recém inaugurado, tanto que meus pais nem lembram o nome do lugar (ou será que não quiseram me contar?), enfim... Nós estávamos fazendo o que qualquer pessoa comum faria em um restaurante, comendo. Tudo ocorria bem, comemos, bebemos, eu brinquei com meu celular, meus pais discutiram em público, e aparentemente tudo estava normal. Quando eles resolveram se acalmar, meu pai sugeriu irmos para um lugar divertido, antes de voltar para casa (Talvez como uma forma de se desculpar com a mãe). Mas não me contaram onde era esse lugar, meu pai apenas disse para imaginar um lugar divertido e o que eu imaginei foi um parque de diversões... mas nós nunca chegamos lá.
Sofremos um acidente. Um motorista alcoolizado acabou colidindo com nosso carro, o resultado do acidente foi totalmente brutal, ambos os carros se destruíram quase que por completo, eu deveria estar morto, assim como meus pais também deveriam, mas por algum milagre, ninguém se feriu, bem... não fisicamente, pois esse acidente deixou marcas que nunca irão curar. Meus pais e o motorista alcoolizado, sofreram apenas pequenos arranhões, nada grave e eu apenas bati a cabeça em algum lugar... Todos nós fomos parar no hospital mais próximo, que se chamava “Hospital do Primeiro Dia”, lá meus pais e eu fomos socorridos, e depois de algumas horas meus pais já estavam bem, como se nada tivesse acontecido, mas não para mim, eu entrei em coma por dois dias. Após acordar do coma, algo estava diferente, eu havia esquecido tudo que tinha acontecido, acabei sendo
diagnosticado pelo médico, eu estava com perda de memória ou podemos chamar de amnésia. Por se muito cedo, o médico não soube dizer qual era o grau dessa amnésia,
então como uma forma de acalmar meus pais ele disse que poderia ser algo pouco grave, algo de curto período, visto que foi um milagre ninguém ter morrido naquele acidente, mas não foi o que aconteceu, o problema se agravou e as consequências dessa doença se tornavam piores a cada dia.
Meus pais estavam notando algo estranho em mim, eu simplesmente não lembrava de nada do que havia acontecido, não lembrava do almoço que tivemos, nem do acidente, nem do coma em que fiquei. E isso foi piorando, todos os dias eu esquecia o que havia acontecido. Acho que meus pais estavam muito tristes em saber que seu filho todos os dias perdia a memória e esquecia sobre eles.
Chegando então ao dia de hoje, fui ao médico novamente e na consulta de hoje o Doutor, apesar de ter sido informado através de meus pais sobre minha situação, de simplesmente esquecer tudo que acontecia no dia, ainda assim, ele disse ser muito cedo para diagnosticar qual realmente era o grau da minha doença. Sendo assim, ele sugeriu para meus pais e para mim, começar um diário. Sim, esse que você está lendo agora.
Sinceramente não consigo lembrar das coisas que aconteceram, mas sinto que elas estão em algum lugar da minha memória, como se não conseguisse acessar elas, mas sinto que estão lá. Também não esqueci quem eu sou, o que aprendi e o que sei fazer, acho que é como quando aprendemos a andar de bicicleta, por mais que os anos passem, ainda iremos saber como fazer aquilo, certo?
Como sugestão do Doutor, eu resolvi iniciar esse diário como uma forma de registrar os acontecimentos do meu dia, assim, por mais que eu esqueça tudo isso amanhã depois de acordar, ainda posso ler minha história e saber o que aconteceu e não me sentir tão estranho. Portanto, Charlie eu peço para que você continue com esse diário e registre todos os seus momentos por você e por mim. E pensando agora, meus pais me falaram que amanhã eu irei voltar as aulas, não sei bem como encarar a tudo isso. Digo, eu com certeza tinha amigos, eu acho, e não sei se eles sabem o que aconteceu comigo e nem como vão reagir amanhã quando me virem e eu simplesmente não fazer ideia de quem são eles. Mas eu sinto como se minha personalidade estivesse sendo mantida, eu não me tornei outra pessoa, eu só não lembro de algumas coisas, como por exemplo o nome de todo mundo da minha escola... Ok, acho que isso é um pouco preocupante, mas não se desespere eu,
você, a gente, nós vamos dar um jeito. Talvez quem sabe, indo em lugares que tiveram um grande impacto na minha vida, e acho que querendo ou não, esse lugar deve ser a minha casa ou a escola, pois são os lugares onde mais passei o tempo da minha vida, talvez isso me ajude a recuperar minha memória. É a única coisa em que posso acreditar no momento.
Já está tarde e preciso dormir para o dia de amanhã, eu não me sinto doente nem nada do tipo, mas agora que eu sei o que acontece quando eu durmo, eu fico um pouco nervoso. Mas tudo bem, eu estou vivo e acho que isso que importa. Amanhã será um dia difícil para você Charlie, mas você vai conseguir superar isso.
Boa noite e adeus.
Segunda-feira, 06 de Fevereiro de 2012, 06:45h, Meu quarto.
Acordei agora pouco com um diário em minhas mãos, não fazia ideia do motivo de eu estar segurando isso... resolvi abrir e ler o que estava escrito. WOW! Ok, então eu tenho amnésia, foi o que eu entendi. Bem que parando para pensar agora eu realmente não lembro de nada sobre ontem, ou qualquer outro dia, é exatamente como esse diário disse, eu sei algumas coisas como meu nome e coisas que aprendi na escola.
Concordei com meu amigo Charlie do dia anterior em continuar escrevendo nesse diário para registrar os momentos da minha vida. De acordo com ele eu preciso me arrumar agora e ir para a escola, que sinto que sei o caminho, mas é como se algo estivesse me impedindo de imaginar esse percurso para a escola.
Segunda-feira, 06 de Fevereiro de 2012, 09:32h, Sala dos professores.
O que aconteceu hoje? É realmente estranho. Acho que essa palavra define tudo.
Nesse momento em que estou escrevendo, é o horário do intervalo, aquela hora em que os alunos descansam alguns minutos das aulas e podem fazer alguma atividade extra, como ir a biblioteca, refeitório, conversar com amigos, ficar isolado e muitas outras coisas. Bem, apesar de tudo, ainda não fui para minha classe, desde quando cheguei na escola tive de passar por algumas situações inusitadas e até o momento estou aqui na sala dos professores. Contarei com mais detalhes o que aconteceu antes de chegarmos até esse ponto da história.
Ainda de manhã no meu quarto, escutei uma voz gritando por um nome, o meu nome, Charlie certo? Era uma voz feminina dizendo, “Charlie, acorde, venha tomar o café” -acredito que se tratava da minha mãe me chamando para tomar o café. Levei algum tempo para terminar de me arrumar, afinal, eu fiquei procurando por quase dez minutos meu uniforme! Eu não fazia ideia de onde estava. Depois de muita luta, encontrei e agora sei onde está. Não irei dizer onde fica, talvez amanhã meus instintos me guiem e eu encontre novamente.
Chegando na cozinha, a primeira coisa que minha mãe fez foi me dar um abraço bem forte (sério, quase fico sem ar) e perguntar se eu a reconhecia, e eu respondi que sim.
O rosto da minha mãe ficou algo como feliz e triste, eu não sei descrever exatamente, mas acredito que ela estava feliz por seu filho lembrar dela. Quando consegui respirar novamente, depois que ela relaxou um pouco, expliquei sobre o meu diário e em seguida sua feição mudou, de uma pessoa muito feliz, para alguém que acabou de se decepcionar com uma esperança.
Bem, o que mais eu poderia fazer? Sei que ela é minha mãe, mas só por causa desse diário! Não reconheço ela, então foi bem estranho receber uma abraço desses. Minha única alternativa era agir como se eu conhecesse ela e retribuir com um sorriso falso, enquanto dizia "Não fique assim, mãe". Ela se acalmou e disse estar tudo bem, enquanto me empurrava algumas frutas e um suco, meu suposto "café da manhã". Se passaram alguns minutos, e logo fui surpreendido por um barulho enorme vindo do andar de cima, era a porta do quarto dos meus pais se colidindo com a parede, e pelo som do barulho parecia que a porta foi "aberta" com um chute bem forte. Para minha surpresa era meu pai, gritando alto e chamando por meu nome. Nós estávamos atrasados, principalmente meu pai, então ele gritou que sairíamos em cinco minutos e depois disso o silêncio tomou conta do lugar.
Durante todo o caminho de casa para a escola, uma palavra define o que aconteceu, silêncio. Meu pai parecia estar muito irritado com alguma coisa, estressado, algo do tipo, e mesmo sentindo um certo frio em minha barriga, por conta do medo, tentei algum puxar assunto para conseguir quebrar o gelo que estava aquele carro, mas sem sucesso. Como recompensa, recebi um olhar de ódio, sabe, como se eu não devesse estar ali, ou simplesmente existir. Acabei sendo intimidado com toda aquela aura raivosa dele e por isso resolvi não falar mais nada até chegarmos na escola.
Finalmente chegamos! Meu pai apenas abriu a porta e me disse: “Charlie escute aqui, seus professores sabem da sua situação e, caso aconteça algo, fale com eles. Quando entrar na escola, procure por uma professora chamada Maria, ela vai ter uma atenção especial com você.”, então desci do carro e fui em direção a entrada da escola.
Associando todas aquelas palavras que meu pai disse, que foram muitas, para quem não falou absolutamente nada durante todo o percurso, sério, foram quase quinze minutos para chegar na escola e ele só resolveu me falar aquilo faltando poucos segundos para eu descer do carro? O que me vem na cabeça é que ele realmente tem alguma coisa contra mim. Mas tudo bem, fiz oque ele disse e fui procurar a tal professora Maria. E bem, antes que eu me esqueça, acho bom registrar aqui o nome da escola em que eu frequento, ela se chama “Escola do Primeiro Dia”, e eu sinto que esse nome me é familiar e ao mesmo tempo estranho, enfim, começou minha aventura em busca da professora que eu não fazia ideia de como ela era.
Andei pelos corredores, longos e compridos procurando por alguém para pedir informação, mas não havia ninguém, o que era estranho, mas o problema não era não eu não achar ninguém, o problema era que eu estava atrasado e provavelmente todos os alunos já estavam em suas salas e eu, um novato com amnésia estava perdido na escola.
Felizmente eu avistei um senhor de costas limpando os pisos da escada à alguns metros, e conforme fui me aproximando lentamente sem chamar a atenção, recebi um susto com ele falando.
“Oh Charlie!, que bom que você finalmente voltou, todos da escola estavam com muita saudade e preocupados com você.” - enquanto se virava em minha direção e sorria.
Por sinal, ele tinha uma voz bem sinistra, parecia como um velhote daqueles filmes de terror. Mas claro, mantive minha postura e controlei meus medos. Exceto aquele medo de não fazer idéia de quem era aquele senhor, então eu dei uma breve explicação sobre meu problema e perguntei onde ficava a sala dos professores, o senhor então me disse para onde ir e lamentou por minha situação. Logo algo passou por minha cabeça... até o zelador da escola sabe o que aconteceu comigo, será que eu virei notícia?
Continuei andando pelos corredores até avistar uma placa, escrito: “Sala dos professores”, e ao chegar mais perto, através dos vidros que a sala tinha, notei que havia alguém lá dentro, uma moça sentada em um sofá, ela tinha cabelos ruivos e usava um óculos. Ela parecia estar lendo algum livro interessante. Lentamente abri a porta com muito cuidado para não assustá-la, mas ela já havia me visto conversando com o zelador e parecia que estava esperando por mim, a muito tempo por sinal. Sem tempo de dizer qualquer palavra, ela me interrompeu.
"Ora ora, olha só quem apareceu." - Disse ela, enquanto usava um tom de arrogância e superioridade, ao mesmo tempo em que se levantava e abria um sorriso sarcástico para mim.
Eu fiquei sem reação, quem era essa moça, o que ela sabia sobre mim, será que era a Professora Maria? Bem, toda vez que encontro alguém tenho essa sensação.
Mas por um breve momento, enquanto pensava o que deveria falar, comecei a reparar que ela não aparentava ser tão adulta e era até mesmo mais baixa que eu.
Ela também não parecia estar vestida como professora, pelo contrário, estava usando o mesmo uniforme que o meu, exceto por algumas medalhas presas em sua blusa.
Fiquei mais confuso ainda. E então ela continuou...
"Realmente não lembra de mim Charlie? A Presidente da Classe, eu, a grandiosa Kelly Woods." - Novamente, usando um tom de superioridade, como se esperasse que eu a reconhecesse e ao mesmo tempo a saudasse com grande respeito.
Mas tudo bem, eu havia feito um progresso, descobri que ela não era a tal professora Maria e isso me acalmou, mas logo veio outro problema, eu não fazia ideia de quem era ela. E então, como reagir a isso? Resolvi ignorar as perguntas dela e insisti em saber algo sobre a tal Professora Maria. Esse foi o primeiro grande erro da minha nova vida, ignorar aquela garota.
Enquanto eu agia naturalmente, tentando tirar algumas informações com aquela garota, parei um pouco de falar e comecei a notar que ela estava com sua cabeça um pouco abaixada, como se estivesse olhando para seus sapatos, ela estava murmurando alguma coisa. Começou bem baixo, mas aos poucos o tom dela foi aumentando e era quase como se ela estivesse recitando alguma magia negra ou até mesmo me amaldiçoando por toda a eternidade!
"... não pode ser, isso não vai ficar assim, isso é inaceitável! Você é o pior, sim, o pior, eu te odeio e isso é imperdoável..." - a cada palavra negativa ela aumentava o seu tom, a cada “pior” que ela pronunciava, eu sentia como se ela estivesse ficando cada vez mais nervosa, e a qualquer momento ela poderia explodir de raiva.
Bem, nesse meio tempo eu tive a brilhante idéia de sair dali o mais rápido possível, e enquanto ela estava muito concentrada (ou distraída) me amaldiçoando, fugir daquela sala era a única coisa que passava por minha cabeça, e assim que tive a chance, abri lentamente a porta e saí de lá no maior silêncio possível, na esperança de que ela não percebesse que eu estava saindo em direção aos corredores. Fora da sala, quando já estava um pouco distante, resolvi dar uma checada e olhar para trás enquanto andava sorrateiramente, e o que consegui ver era garota falando sozinha com a sala. Prestes a voltar a olhar para frente novamente, algo me acertou bem em cheio minha cara, algo macio
por sinal, acabei dando alguns uns passos para trás por conta do impacto e quando levantei meu rosto para ver o que era, fui atingido em cheio por algo chocante!
Era a bolsa de uma moça. Uma bolsa de ursinho, preenchida de enfeites bem femininos, algo que mulheres devem gostar, eu acho. Não vou negar, até que a bolsa era bem bonita, mas a única coisa que pude fazer foi me desculpar com a moça. Ela viu minha cara de desorientado e imediatamente me reconheceu.
"Charlie? Que bom te ver, você voltou para a escola. Isso é ótimo!" - Disse ela enquanto pegava em minha mão.
E lá vamos nós, eu de novo estava tendo aquela sensação estranha. Resolvi ir direto ao ponto e perguntei seu nome. Sim, era ela! Finalmente encontrei, por acidente, a tal Professora Maria. Até que ela começou a falar várias e várias coisas enquanto lentamente me puxava pela mão, andando em direção ao lugar que eu menos queria estar, sim, a sala dos professores novamente, covil daquela garota das trevas!
Chegamos na sala, e percebi algo estranho. A garota parecia estar calma de novo.
Seria por causa da presença da professora? Ou ela realmente se acalmou e voltou a sí. Era o que eu pensava, até de repente receber um belo de um tapa na cara, vindo daquela garota. O dia mal havia começado direito e eu já tinha passado por tanta coisa estranha, não entendia mais nada.
Resumindo, eu levei um tapa na cara gratuitamente e a garota saiu correndo da sala aos gritos. O que eu fiz para merecer esse tapa? Bem, naquele momento eu não sabia ainda o motivo. A professora Maria apenas soltou algumas risadas de toda aquela situação, enquanto dizia o quanto essa geração era diferente e agitada.
Eu. Fui. Agredido. Por uma garota.
"Me desculpe Charlie, e por favor, perdoe a Kelly, ela ficou muito triste com o que aconteceu com você e ainda está muito afetada com isso. Eu sei que no fundo ela está feliz por ter visto você novamente, ela só não soube dizer isso de uma maneira correta. E acho que acabou se exaltando um pouco. Afinal, vocês dois eram uma dupla como nenhuma outra..." - Disse a Professora Maria enquanto olhava para mim e me guiava para alguns álbuns de fotos em que eu e a Kelly estávamos presentes, além de outros alunos.
Enquanto a Professora Maria me contava tudo aquilo, eu percebi que estava recebendo informações sobre meu passado, aquele que não tenho nenhuma idéia de como era. Uma “dupla”, ela me disse que Kelly e eu éramos uma dupla, não conseguia imaginar isso... e ela continuou falando.
"... você como Presidente da Classe, enquanto ela era sua Vice-Presidente. Os alunos mais exemplares da nossa escola. Tenho certeza que ela só precisa de um tempo para se recompor, e garanto para você, Charlie, ela estará normal novamente quando você menos perceber." - Ela disse tudo isso de uma maneira tão orgulhosa que quase pensei ter visto algumas lágrimas saindo de seus olhos, mas era apenas um cisco. Ao mesmo tempo em que ela dizia aquelas palavras para mim, sinto que ela também estava dizendo para si mesma que acreditava em sua Vice-Presidente.
Bem, depois de toda essa confusão que passei, finalmente eu estava lá com a Professora Maria, aquela que meu pai tinha me dito para encontrar. Eu precisava conversar com ela, então como uma forma de mudar de assunto, eu fingi ignorar tudo aquilo que tinha acontecido à alguns minutos atrás, exceto pela marca de mão que ficou em meu rosto, para finalmente ter algumas explicações com essa Professora Maria. Fui direto ao ponto e perguntei tudo aquilo que queria saber e ela respondeu tudo sem nenhum problema.
Maria del Torres, é seu nome. Ela aparenta ter algo em torno de 28 a 32 anos, não sei ao certo, já que ela não quis me contar sua idade de fato ... Bem, não vejo problema em ela esconder isso. Seus cabelos são loiros e bem longos, indo até sua cintura, parece ser uma moça bem divertida e de muita facilidade para conversar. O que posso dizer... ela é alguém agradável de se ter por perto e confiável. Conversando mais com ela, acabei descobrindo que na verdade ela não é bem uma professora, isso mesmo. Ela na verdade é um tipo de conselheira da escola, atua como ajudante quando necessário, chefe se precisar e também oferece conselhos para alunos. Como eu poderia descrever ela de uma forma mais precisa?
“Professora Maria, minha conselheira da escola.”
Acho que isso deve servir. Bem, foi isso que aconteceu. Como será que elas irão reagir amanhã ao me ver, e tudo se repetir de novo... Ainda bem que isso não irá acontecer, pois eu irei ler isso e saber de tudo que aconteceu. Isso me acalma.
O intervalo está prestes a acabar, e eu não sei oque vai acontecer daqui para frente e por isso irei encerrar por aqui. Ao chegar em casa irei registrar o resto do dia e garantir meu passado, para o meu “EU” de amanhã.
Segunda-feira, 06 de Fevereiro de 2012, 15:02h, Meu quarto.
Oi, estou de volta, eu. Isso é estranho. Conversar comigo mesmo usando um diário.
Enfim, acho que terei que me acostumar com isso querendo ou não. Agora é de tarde, já estou em casa e bem... não aconteceu mais nada de tão importante depois do intervalo. Eu fiquei só na sala dos professores, que na verdade era a sala da conselheira. Como pode até a placa do corredor estar errada? Vai saber o motivo... De todo modo, ainda não estou de volta as aulas oficialmente, eu irei frequentar a escola somente como uma forma de tratamento para minha doença, não vou ter de estudar os conteúdos e assistir aula, somente irei ficar na sala da conselheira conversando com ela e aos poucos, caso minha doença mostre alguns resultados positivos, irei começar a frequentar as aulas com os outros alunos. Caso algo mais de importante aconteça, irei registrar logo em seguida.

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