ParaBellun

A hipótese de viagem no tempo vem sendo questionada a décadas, muitos especialistas dizem ser teoricamente possível, porém não existe uma tecnologia capaz de possibilitar ou resistir a viagem.

Para Dr. Pearce isso não era um problema, após séculos de pesquisas passados de geração a geração finalmente foi encontrada uma fórmula que poderia funcionar. Sem perder tempo, juntou sua equipe e pós em prática todo o seu estudo, para Pearce essa era a última tentativa.

Estava cansado, dedicou 67 anos de sua vida a descobrir uma forma de viajar no tempo, perdeu sua mulher, não tinha mais contato com os filhos e já não tinha mais como sustentar sua equipe.

Era tudo ou nada.

Sem esperanças pressionou o grande botão vermelho da cabine metálica e já esperava que não fosse acontecer nada, mas para a surpresa de todos uma forte claridade passou pelas fretas da porta
da cabine e um grande estrondo foi ouvido. Após alguns segundos a claridade foi se dissipando, as luzes em volta da máquina continuaram acesas, as engrenagens giravam e dessa vez não havia nenhuma fumaça no ar. Ele tinha conseguido. Finalmente, depois de dezenas de tentativas ele tinha terminado algo que seu trisavô havia começado.

Só faltava uma pequena coisa, como ele sabia que realmente havia funcionado sem testá-lo? Este era o grande problema no momento, pois mesmo que sua equipe tenha dado sangue, suor e lágrimas nesse projeto ninguém queria servir de cobaia. Mas Dr. Pearce já sabia e quando este grande dia chegasse ele estaria com seu plano armado.

Doze anos atrás, quando ainda dava aulas de história e filosofia na faculdade, ficou próximo de um grupo de alunos. Diziam não ter muita perspectiva do futuro por conta do passado, guerras, mortes,
traições, a tecnologia sendo usada para criar e, ao mesmo tempo, acabar com vidas sendo elas inocentes ou não. Quando perguntados o que fariam se tivessem o poder de voltar ao passado entraram em um consenso, “matar a morte”.


1939


Noah se encontrava nervoso sentado na poltrona esperando o restante de sua equipe, sua mão estava suada e sua perna balançava.

- É melhor usar o banheiro antes de partir, meu filho. Não sei o que pode acontecer durante o percurso.

 – Dizia Dr. Pearce enquanto preparava a cabine para o salto. – Sabes que não precisas fazer
isto, certo?
- Eu sei... mas eu vou, eu prometi a uma pessoa que faria algo certo pelo menos uma vez na minha vida.
 – Respondeu Noah, secou suas mãos na roupa e se levantou alongando os braços e pernas.
Mesmo preocupado com os garotos Pearce não podia deixar essa oportunidade passar, até porque não iria jogar séculos de pesquisa no lixo por causa de um sentimento bobo, não é? Bom, ele não os obrigou a ir, estão fazendo por vontade própria, certo? Ou será que estaria enviando eles a morte? Pensamentos como esses invadiam a mente do doutor. “Será pela ciência. ” O grande momento chegou, Noah se juntou a Lauren Green, Diego San e Carl Pearce Jr, o filho mais novo do doutor que depois de anos voltou a falar com seu pai, e agora terá que se afastar mais uma vez. Foi uma longa despedida com direito a discurso e um forte abraço, que aliás poderia ser o último; os quatro jovens entraram na cabine metálica, se encararam por alguns minutos

- O que vamos fazer quando chegarmos lá? – Green perguntou um pouco tensa. Noah segurou suas mãos e com um olhar firme disse:

- Matar a morte.

Uma forte luz tomou o local obrigando ao quarteto a tampar os olhos com as mãos, depois de um grande estrondo veio um silêncio quase mortal. Noah sentiu uma dor aguda nas costas, abriu seus
olhos e meio tonto se levantou, cambaleou até um canto e encontrou um grande espelho com bordas douradas, analisou sua situação e não havia nada de diferente nele, estava com os dois braços e as duas pernas no mesmo lugar, com todos os fios na cabeça e nenhum arranhão, mas a dor ainda permanecia.
Olhou em volta a procura dos seus companheiros e percebeu que estava em um lugar um tanto incomum, as paredes de madeira pareciam bem desgastadas com teias saindo de todos os lados, o assoalho rangia quando andava e com certeza havia uma família de roedores morando ali. O cheiro era péssimo, ele só queria sair dali o mais rápido possível, então percorreu um corredor e desceu as escadas que davam para uma pequena sala, atravessou o cômodo e encontrou uma porta logo passando por ela.
Do outro lado encontrou Lauren e Carl conversando assustados na calçada, na rua carros e motos transitavam sem parar, homens de terno com maletas e pessoas vendendo jornais passavam a todo
momento.
- Esperem aqui. – Avisou Carl saindo da vista dos seus companheiros.
Extasiado, Noah aconchegou-se perto de Lauren e lhe tocando o ombro perguntou:

- Onde está Diego?

- Eu ia lhe perguntar a mesma coisa.
– Respondeu Lauren com um olhar preocupado
– Pensamos que ele estava com você, já que demorou para chegar.

- Ah não, eu fiquei meio perdido... isso está realmente acontecendo?
– Antes que Lauren pudesse responder, Carl surgiu correndo dentre as pessoas, carregando algo nas mãos.

- Olhem, segundo esse jornal estamos na Inglaterra! Dia 30 de agosto de 1939! Nós conseguimos!
- Carl tropeçava nas palavras
 - Vocês têm noção disso?
Acho que vou ter um infarto...
– Noah o segurou, ajudando-o a sentar no batente de uma porta.

Lauren folheava o jornal, parecia pensativa. Algo não estava certo, quando um estalo veio em sua cabeça. – Nós viemos para época certa, mas no lugar errado. Não devíamos estar na Inglaterra e sim na Alemanha.

- O ataque é daqui a dois dias! – Proferiu Carl
– Quantas horas daqui para a Alemanha?

- Em torno de 11 horas, isso se pegarmos um carro. Teríamos que pegar uma balsa pelo trajeto.
– Disse Noah ajudando Pearce a levantar.
– Mas e Diego? Não podemos deixá-lo!

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